sábado, 15 de novembro de 2008

Céu em cima, trovão embaixo: a verdade.


Um blog novo. Porque enjoo das coisas. Porque me canso de muitas coisas com uma facilidade enorme.Porque eu quis. Porque estou sempre recomeçando. E tentando outra vez.Agora são mais de cinco manhã. Acordei as tres, depois de ido dormir as 14 horas. Uma verdadeira confusão meu fusso horário. Mas gosto disso. Dessa falta de rotina.
Gosto de uma porção de coisas, e também existem um monte de coisas que não gosto.
Sentir essa dúvida, esse medo me devorando é uma delas.
Depois de uma temporada de quase dois meses no Rio, estou indo para casa no meio dessa semana. Mas não sei se quero voltar. Não sei se devo.
Aqui é tudo tão difícil. E derrepente, parece que alcançar meu sonho, é alto não impossível, que não sei se quero gastar minhas energias, ficar longe dos meus , afim de perseguir uma objetivo que no fim pode não dar em nada.
Ontem gravei pela primeira vez como figurante. Na nova novela das oito. Saí de de lá moído. Moído pelo sol escaldante e pelas ladeiras da lapa,e pela dúvida que me acompanha em cada passo que dou. Será que vale mesmo a pena, lutar por esse sonho, Meu Deus?
A gravação não foi exatamente o que eu esperava. Aliás, não foi nada do que eu esperava. Não conheci nenhuma cidade cenográfica, não cheguei nem perto do Projac. Gravei na lapa, em ruas íngremes e fétidas, e tive a exata consciencia de que apesar de tão próximo de uma gravação , estava cada vez mais longe de alcançar meu sonho, de fazer parte de uma de verdade.
Figurei com um entregador de água, e catador de papéis.E experimentei o sabor de ser invisivel por todo aquele tempo que ali estive.
Definitivamente não sei se tenho estrutura para ser figurante.
Eu quero mesmo é ser ator.E pra um ser humano tão impaciente e leonino como eu, é muito dificil estar ali tão perto,e permanecer tão longe.Sem que ninguém me enxergue, e descubra o meu potencial.E o que mais me consome, é a possibilidade de que seja assim, para sempre.
De que eu atravesse a vida como um figurante das minhas vontades. Como apenas mais um.
De qualquer modo, resolvi encerrar o último blog e começar esse.
O nome do blog é uma referencia a um apelido cretino que ganhei na adolescencia de um colega ainda mais cretino da sexta série, que me detestava e revolveu tirar sarro com minha cara,por causa do meu excesso de peso.
Não sou mais adolescente, embora ainda me sinta um.Mas hoje minhas formas são ainda mais grotescas do que no passado quando ganhei o apelido. Logo, ele nunca me caberia tão bem quanto agora.
Aproveitei essa madrugada também para olhar minha sorte no I Ching que há muito não jogava .
E pedi uma resposta a essas minhas perguntas que me devoram. Será que devo insistir nesse sonho ou o melhor seja recuar e tentar ser feliz de outra maneira? Eis o que In ching me respondeu:

As pessoas adoram dar conselhos, Herton. Todos nós – incluindo-se aí você, eu e qualquer ser humano vivo – gostamos de dar as nossas opiniões e, assim, influenciamos com maior ou menor força as pessoas ao redor. Num mundo com tantas “vozes” e “falas”, não é de se estranhar que a gente perca contato com a nossa voz interior. O que muitas vezes esquecemos é que ninguém detém a verdade completa e, assim sendo, as opiniões mostram apenas pedaços de um todo. Neste momento de sua vida, Herton, você sentirá a necessidade de se recolher um pouco mais, voltando-se para dentro de si a fim de extrair do seu próprio coração qual é a sua verdade. O que importa, neste momento, não são as verdades gerais, os dogmas, as regras, os manuais. Importa, isso sim, a sua experiência. Viver de acordo com o que você acredita, ainda que isso gere oposição das pessoas ao seu redor. Quando finalmente você se decidir a respeito do seu caminho, atrairá oposição e conselhos dos outros. Filtre tudo, Herton. Não descarte nada, mas filtre tudo.

Do que adianta desejar vencer se você tem tanto medo de perder o que conquistou? Cuidado com a paranóia e o sofrimento por antecipação, Herton. O medo possui um poder absurdo de se realizar, quando o alimentamos muito. Seu maior inimigo no momento é interno: o medo. Vença-o!

Acho que não preciso dizer mais nada.

O I ching, mais uma vez, me disse tudo.

Está no ar, Elefante sem rabo.

2 comentários:

GRACIELE GIRARDELLO disse...

Porque enjoo das coisas. Porque me canso de muitas coisas com uma facilidade enorme.Porque eu quis. Porque estou sempre recomeçando....

O QUE DIZER DISSO.....É O RESUMO DE TUDO E DE TODOS BEM NO FUNDO....

Arte de Débora disse...

Senti na pele o teu desabafo... O medo de não deixar de ser "figurante das nossas vontades" é uma das angústias da condição humana... Pelo menos, da condição de homens sonhadores e que vivem intensamente como você parece ser!
Parabéns pelo blog e vamos em frente! ;-)